Agronegócio

Com cerca de 500 participantes online, a FGV focou o cenário brasileiro do agronegócio e o contexto mundial, na última segunda-feira (14). O evento contou a presença de Felippe Serigati – professor da FGV EESP, pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV e coordenador do Mestrado Profissional em Agronegócio da FGV, Alan Rabelo – superintendente regional da rede de conveniadas da FGV e Evandro Faulin  – coordenador de Projetos da FGV Agro e Coordenador dos MBAs  em Agronegócios.

“2020 reservou surpresas para todos os lados”, afirma Serigatti. “E qual o grande desafio agora? Como será 2021?”, a provocação veio do professor Serigatti, que acredita em uma contração da economia brasileira, porém, menor do que a projetada no início da pandemia. Para ele, é necessário tentar manter a retomada, pelo menos. “O grande destaque entre as diferenças de resultados projetados e os que estão se realizando está na maciça transferência de renda entre a população, devido, em grande parte, às ações iniciadas pelo governo como políticas de incentivo às empresas, auxilio emergencial, e etc..

Durante o evento, o professor mostrou um panorama da situação atual. O mercado interno está mais aquecido devido a transferência de renda e isso impactou positivamente no agronegócio. E o setor exportador, para o agronegócio, também foi aquecido e expandido. Segundo ele, o setor que está com a situação mais complexa, ou seja, que terá mais dificuldades em se recuperar é o de serviços. A indústria também sofreu grandes impactos. Contudo, apesar das projeções mais pessimistas, algumas delas conseguiram tomar um fôlego e começaram a apresentar crescimento, especialmente no segmento ligado ao agronegócio.

O gráfico (imagem 11) mostra efetivamente os crescimentos de setores durante a crise, que, acredita o palestrante, se deve sim à transferência de recursos pelo governo federal (auxílio emergencial de R$600,00). “Um bom gestor tem que saber ler cenários”, afirma Serigatti. “No caso do agronegócio então… Vamos ao exemplo: tem-se ouvido muito na mídia sobre o aumento do preço do arroz. Aí, ouve-se a solução: vamos impedir o aumento nos supermercados, mas isso não é a melhor saída”.

Na visão do especialista, o que acontece é que a demanda está aquecida, tanto no mercado interno, quanto no externo. A produção do arroz não diminuiu, mas a demanda cresceu vertiginosamente, assim como a de bens não duráveis, de fácil preparo e baixo custo relativo. E isso não vai impactar na inflação em outros setores, porque, geralmente, a inflação do setor de alimentos morre nela mesmo, e é bem passageira. Isso, diferentemente de outros setores como o modal ou construção que impactam em toda a cadeia.

Felippe ainda fez uma análise dos vários segmentos relacionados ao agronegócio, mostrando o contexto no ano de 2019, antes da pandemia, e agora, a fim de, com base em números efetivos, apontar a reação e tendências do setor.

 

Tendências do Negócio AGRO

A alta do dólar favoreceu o agronegócio.

As commodities do setor aumentaram muito.

O produto que o agronegócio produz ficou mais valorizado internacionalmente.

As exportações cresceram.

O planejamento logístico também se destacou entre os produtores brasileiros.

O agronegócio não é um mercado homogêneo. Os setores diversos apresentam performances distintas. Por exemplo: o setor têxtil e de celulose não cresceu (roupas e material escolar).  No momento de pandemia, o Brasil despontou como um dos únicos países que cresceu no setor do agronegócio se colocando de forma confiante para o mundo como um forte exportador e isso abre portas para negociar com o mercado.

Serigatti abordou a questão da visão exterior sobre o agro brasileiro. “Ah, eles produzem mas destroem a Amazônia… Infelizmente, esse é um cenário que o setor precisa combater, precisa se posicionar para mostrar ao mercado internacional que isso não é verdadeiro e que temos, sim, produtos desenvolvidos de forma sustentável, de alta qualidade, e mesmo nos patamares gourmets”, concluiu.

Evandro Faulin falou sobre as oportunidades e alinhamentos essenciais a respeito do setor agro, cenários e contexto de oportunidades aos quais o aluno do MBA FGV tem acesso quando participa do curso. Ressaltou também que a diversidade de formação dos alunos é um destaque no networking (advogados, engenheiros, administradores e profissionais específicos da produção agro).

“É um curso muito rico de troca de experiências e de forte crescimento profissional”, exemplificou.

O coordenador também destacou que no curso MBA tem-se abordado fortemente a questão da tecnologia no setor do Agro. E os gestores precisam de ter mais dados e conhecimento para analisar os dados e gerar informações relevantes para o seu negócio. “Esse é o papel educacional do MBA FGV, que propicia uma mudança cultural ao gestor, fomentando a discussão e apresentando metodologias e ferramentas para implementação prática em suas empresas”.

 

 

 

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