Profissionais Do Pós-pandemia

Um levantamento realizado pela McKinsey Global Institute (MGI)prevê que no período pós-pandemia haverá um crescimento de 39% na procura de profissionais com conhecimento tecnológico, 30 % de crescimento na busca de pessoas com habilidades em gerenciamento de equipes e projetos, treinamento e desenvolvimento e 28% de aumento na procura por profissionais com altas habilidades cognitivas, capacidade de aprender com tecnologia, domínio de matemática e estatística.

O estudo mostrou que as áreas com potencial de empregos estarão voltadas aos profissionais com alto grau de formação, ou seja, graduação, pós-graduação, dupla graduação, para o desenvolvimento de novas habilidades. Já as profissões atuais e tradicionais, a exemplo de engenheiros, administradores, contadores, jornalistas e professores não desaparecerão, mas exigirão novas competências para quem está no mercado.

A sócia diretora da empresa Véli RH, Margot Azevedo acredita que vivemos um momento sem precedentes, com o fim de muitos negócios e empregos por um lado, mas com o incremento de outros, além do surgimento de novas funções e áreas de atuação profissionais. “É um momento muito desafiador, pois as chamadas funções ou profissões do futuro estão ligadas à tecnologia (TI) e novas tecnologias diversas, incluindo a tecnologia social, estão em alta e tendem a aquecer ainda mais”, acredita a especialista.

Margot Azevedo lembra que as carreiras precisarão mesclar as características humanas e tecnológicas para conseguirem responder às novas demandas e desafios laborativos (foto: Divulgação)

Margot lembra que velhos problemas precisam de novas soluções e os novos problemas também precisam ser resolvidos logo, por isso mesmo, pensar em funções e negócios alinhados com as demandas desse ‘novo mundo’ é imperativo. “O tecnológico e o humano estão caminhando juntos. É necessário que seja assim e que possamos desenvolver ainda mais o que não será substituído pela máquina: a nossa humanidade, que pode e deve ser aplicada em qualquer área e função”, defende.


Novos profissionais

O diretor da Escola Superior de Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter Elton Schneider defende que a nova realidade dos empregos e profissões será um misto de competências digitais, capazes de automatizar processos e realizar atividades a distância, principalmente o home office, mas com um apelo muito forte para os valores humanos, respeito às diferenças, preocupação com a sustentabilidade dos negócios, redução dos impactos ambientais de produtos e serviços.

“A pandemia nos obrigou a um uso intensivo de tecnologia na vida pessoal e profissional, mas não foi só, vivemos uma mudança de comportamento dos consumidores associados ao uso de tecnologia que, agora, reflete sobre esse consumo para o planeta”, diz, destacando que quando isso acontece novos profissionais e uma nova postura de negócios são demandadas.

Para se preparar para esse novo momento, Margot Azevedo diz que os estudantes precisam ler muito e estudar com um olhar multidisciplinar, buscando entender o cenário global ou, pelo menos, buscando enxergar a conexão das áreas e possíveis trabalhos. “Pensar em como o que gosta de fazer pode ser uma solução para alguém e transformar isso em trabalho. Ter um propósito ajuda muito”, sugere.

Já os profissionais que estão no mercado podem pensar nessa reconstrução, se mantendo atentos às novas necessidades e atualizações na área em que atua, buscando se abrir para o novo, valorizando a diversidade e a inclusão, praticando a empatia, a generosidade, tenho  iniciativa, entendendo que só há caminho se pensar no outro e fazer junto. “Conexão, propósito e empatia são as chaves”, ensina Margot.

Formação pela vida

Elton Schneider chama atenção para o fato de que esse profissional do futuro precisará passar a vida investindo em conhecimento, no chamado long life learning. “Há 20 anos, poucos acreditavam nesta necessidade de aprender sempre, hoje esta se tornando condição para a manutenção do emprego”, diz Schneider.

Para o diretor da Escola Superior de Negócios, essa formação continuada é uma necessidade tanto para quem está entrando mercado de trabalho quanto para quem já está nele. “As profissões do futuro envolvem formações sólidas em áreas como: Gestão de Startups, Gestão da Tecnologia e Inovação, Prototipagem e Testes de Usabilidade, Inteligência Artificial – IA, Big Data, Segurança da Informação e Meios de Pagamento Eletrônicos, Governança Corporativa e Compliance, Internet das Coisas  – IOT, blockchain, criptomoedas, sustentabilidade, indústria 4.0, Design, Coaching, entre outros”, elenca.

Margot Azevedo diz que as profissões com maior empregabilidade serão aquelas que permitirão que os profissionais continuem necessários e atuando: atualização tecnológica e digital e as chamadas soft skills ( saber trabalhar em equipe, boa comunicação, assertividade, abertura para o novo, adaptação, flexibilidade, atitude positiva, criatividade, etc). “Para desenvolvê-las, o primeiro passo é o auto conhecimento”, finaliza.

Conheça as qualidades exigidas para os profissionais do futuro:

a)      Competências digitais – o uso de tecnologias será a base das profissões daqui para frente;

b)      Competências de aprendizagem – estudar, aprender e implementar novos conhecimentos a sua prática profissional;

c)      Competências de comunicação digital – se escrever e falar bem já eram competências importantes, na era do vídeo, das animações, dos games se comunicar bem virou obrigação;

d)      Competências de liderança remota – o trabalho em equipe ainda será um dos aspectos mais importantes das profissões, cabe desenvolver habilidades para o gerenciamento da motivação, das emoções, do lado afetivo de todos os envolvidos;

e)     Competências técnicas/comportamentais – tenha uma área de domínio que o distingue dos demais, inteligência artificial, gestão, internet das coisas, automação, liderança, ou até mesmo um conjunto de competências que o farão um profissional desejado pelo mercado.

 

Fonte: Correio

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