Pequenos agrados não geram uma equipe engajada

Pequenos agrados não geram uma equipe engajada – O aumento do desemprego – que em agosto atingiu alarmantes 11,5 milhões de pessoas no Brasil – com o óbvio aumento do contingente de trabalhadores disponível não facilitou a vida das empresas na hora de conquistar ou reter talentos. Colaboradores engajados não são formados por medo ou com oferta de “pequenos agrados” como um salário um pouco maior que o praticado pelo mercado ou um pacote de benefícios mais robusto.

De acordo com Alinne Ferreira, orientadora profissional e master coach com qualificação em neurociências e psicanálise aplicadas à educação, tanto para empregados como para empregadores, a tentação das “doces armadilhas” tem prazo para perder o efeito.

“Percebo que para as empresas o grande desafio é – mesmo com mais mão de obra disponível – promover engajamento. Pesquisas mostram que cada vez mais há pessoas fazendo coisas que não gostam, desmotivadas, se sentindo desvalorizadas e, consequentemente, baixando a produtividade das empresas. É lógico que um bom salário e um bom pacote de benefícios são atraentes, mas são condições mínimas, não motivam por muito tempo”, explica Alinne Ferreira, também cocriadora da Amo o que Faço – Planejamento de Carreira e Projetos de Vida.

O fenômeno não é só brasileiro. Pesquisa do Instituto Gallup com 2.300 americanos apontou que 71% dos trabalhadores do país não estavam engajados com os seus trabalhos. Para a especialista, os profissionais estão despertando para a necessidade do reconhecimento dos talentos e dos pontos fortes que possuem e isso precisa, urgentemente, ser percebido pelas empresas. Reconhecimento e sentido de utilidade são imprescindíveis para a criação de equipes motivadas.

“É preciso reconhecer e não ficar apenas corrigindo as debilidades. Apenas 20% dos profissionais brasileiros se sentem reconhecidos. Uma dica é investir em feedbacks construtivos. Poucos líderes sabem fazer isso, valorizando pontos fortes, pontuando o que deve ser melhorado e acordando pontos em que os dois lados podem atuar juntos para melhorar”, destaca a consultora.

A preparação dos líderes é fundamental para os bons resultados. O papel do departamento de recursos humanos (RH) é extremamente estratégico nessa formação. Os líderes devem ser capazes de realizar uma escuta ativa para construírem soluções mais baratas e eficazes, levantando os valores de vida dos funcionários.

“O RH tem o papel fundamental de articulador, intermediador entre as áreas da empresa e a alta gestão. Quando ele consegue ter um papel menos burocrata-normativo as práticas começam a ser efetivamente aplicadas. Hoje em dia, o RH está teórico demais. O sistema não funciona por si só. A grande reclamação é a falta de transparência na relação com os líderes. É preciso investir tempo ouvindo as equipes”, destaca a coach.

Fonte: Diário do Comércio

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