O efeito positivo da queda dos juros e da retomada econômica

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O efeito positivo da queda dos juros e da retomada econômica – Lucros de empresas crescem 29%, e reação na
Bolsa deve continuar

A temporada de balanços referentes ao terceiro trimestre, encerrada na semana passada, mostrou que
a redução da taxa básica de juros, os primeiros sinais de retomada econômica e uma gestão mais atenta
a custos têm tido impacto positivo para as empresas. Os lucros das companhias de capital aberto cresceram
29% no período, enquanto suas dívidas recuaram ao mesmo valor do início de 2015, segundo a consultoria
Economática. Passada a enxurrada de dados financeiros, os analistas acreditam que os setores mais sensíveis
à recuperação econômica poderão continuar vendo expansão de sua lucratividade e, consequentemente, reagindo
positivamente na Bolsa.

“As empresas enxugaram bastante seus custos durante a crise e agora estão colhendo os frutos. Além disso,
teve a queda dos juros. Esses resultados mostram que aquele cenário que era previsto está acontecendo. Há
tanta gordura para queimar em termos de lucratividade, que estava muito baixa, que qualquer melhora provoca
uma alta intensa”, afirmou Bruno Garcia, gestor chefe da Truxt.

Na avaliação de Garcia, as ações do setor de varejo devem continuar a registrar crescimento de lucro
nos próximos trimestres.

“Além disso, vemos oportunidades de ações consideradas “baratas” no setor bancário, enquanto enxergamos
bom potencial no setor de saúde, que sofreu relativamente pouco na crise.”

Ele ponderou, porém, que o setor de construção civil é um dos que mais têm decepcionado o mercado, apesar
de a queda de juros ter trazido esperança para os seus investidores.

“O setor de construção continua passando por dificuldades porque depende do crédito, que ainda está
escasso. Além disso, já se espera alguma alta de juros no ano que vem, então não consigo enxergar esse
setor como aposta”, afirmou Alexandre Wolwacz, do Grupo L&S.

Segundo Phillip Soares, analista da corretora Ativa, muito mais importante do que o conteúdo dos mais
recentes balanços trimestrais é o cenário macroeconômico:

“Vemos uma recuperação, ainda que muito incipiente, em setores ligados ao consumo, por exemplo,
como o de shopping centers, com o aumento dos gastos do consumidor e da massa salarial. No setor de
bancos, por sua vez, vemos uma melhora nos números de provisões para devedores duvidosos (PDD) e um
ambiente de negócios que continuará exibindo uma trajetória de melhora gradual”, afirmou. “No entanto,
não vislumbramos uma retomada dos indicadores de investimentos antes das eleições.”

Melhora em papel e celulose

Diante desse cenário cauteloso, a principal aposta da Ativa é na recuperação gradual do consumo. Uma
fatia de 35% de sua carteira recomendada está destinada a ações sensíveis a essa dinâmica. Os papéis
de Via Varejo, Natura e Raia Drogasil são os principais destaques, concentrando 25% do total desse
portfólio. O restante está na ação da administradora de shoppings BRMalls.

O restante da carteira está divida entre papéis ligados a commodities, ao setor bancário (Itaú Unibanco)
e ao de energia (Equatorial), além de uma aposta na Ultrapar, dona das redes de postos de combustíveis Ipiranga.

“Nas commodities, vemos a Klabin como uma companhia defensiva, ligada à celulose, mas sensível ao
mercado interno, como a demanda por embalagens. Também temos 5% em Petrobras, não tanto pela
perspectiva para o petróleo, mas pela melhoria de gestão pela qual vem passando a companhia”,
explicou Soares, acrescentando que a siderúrgica Gerdau também compõe esse leque.

Na visão de Wolwacz, o setor de papel e celulose vem apresentando melhora nos resultados e pode
ser interessante para ter na carteira por causa de sua correlação com o dólar, dado o fato de que
todas as empresas são majoritariamente exportadoras.

“Elas funcionam bem como uma espécie de hedge (proteção) para potencial valorização do dólar. Isso
pode ser contemplado em uma parcela da carteira.”

Para ele, o setor de varejo é mesmo um dos que mais tendem a manter os bons números daqui para frente.

“As empresas desse setor na Bolsa devem ser as primeiras a, de fato, deixar a crise totalmente para trás”, observou.

Dentro dele, Wolwacz destacou a perspectiva para Renner — uma das queridinhas do mercado em geral,
com salto de 69% na Bolsa este ano — e da Grendene. O lucro da varejista gaúcha comandada por José
Galló saltou 65% no 3º trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 140,3
milhões, enquanto que o da fabricante de calçados cearense caiu apenas 2,8%. Ambas as companhias,
porém, não registram qualquer prejuízo trimestral há pelo dez anos. Ele também citou como ações com
potencial de crescimento no setor Via Varejo e Magazine Luiza.

Para Adeodato Volpi Neto, estrategista-chefe da Eleven Financial Research, um dos setores com maior
potencial para aproveitar a retomada econômica é a indústria. Ele cita principalmente três companhias
como destaque: Tupy, Mahle Metal Leve e Weg. No caso da primeira, que fornece componentes fundidos
para o setor automotivo e sofreu durante a recessão, o lucro no terceiro trimestre saltou quase cinco
vezes, para R$ 76,3 milhões, com a recuperação deste segmento. As outras duas também apresentaram
melhora nos seus resultados.

Fonte: Época Negócios

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