Tensão Na Agenda Dos Executivos

Arrumar uma desculpa pode fazer bem para o ego, mas é um grande inimigo da produtividade

(FOTO: THINKSTOCK)

Quando um projeto dá errado ou nem chega a sair do papel, é difícil assumir a responsabilidade. Queremos sempre crédito pelo que fazemos de bom, mas para os fracassos conseguimos inventar inúmeras desculpas para mostrar que não teve nada a ver conosco. Com certeza você se lembra de alguma situação em que isso aconteceu, certo? Pois acontece com todo mundo.

O coach e consultor João Cordeiro lançou no ano passado “Desculpability”, um livro para mostrar como esse hábito de dar desculpas nos impede de entregar resultados melhores na vida profissional e prejudica o desempenho das empresas. Ele analisa um conjunto de comportamentos que são exatamente o oposto de tudo que defendeu em seu primeiro livro, lançado em 2013, no qual apresenta o conceito de Accountability, que é pensar e agir como dono para entregar resultados excepcionais.

O instinto de dar desculpas já era trabalhado por Cordeiro em alguns de seus workshops, mas foi Darcio Klaus, um diretor da Arezzo, que sugeriu a palavra Desculpability para resumir o que estava sendo explicado.

Segundo o coach, essas atitudes servem bem ao ego e são uma maneira de nos proteger, mas para empresas elas têm consequências muito negativas. As desculpas no ambiente corporativo provocam retrabalho, desgaste entre as pessoas e até reuniões mais longas. Elas também diminuem a capacidade inovadora da empresa. Um exemplo: o funcionário deixa de dar uma ideia nova porque seu chefe o desprezou da última vez. Ou diz que não tem verba suficiente ou que o marketing não ajuda a colocar a ideia em prática. “Com a Desculpability a solução de problemas é mais demorada”, diz Cordeiro.

Como diminuir as desculpas

Não damos desculpas ou apontamos culpados porque temos más intenções ou porque somos incompetentes. Cordeiro defende que esse processo é muito mais forte e primitivo do que imaginamos – e não devemos subestimá-lo. A comparação que ele costuma fazer é com um aplicativo que vem na versão de fábrica, não pode ser removido nem desligado. É um modelo mental inconsciente. Além disso, um modelo de educação em casa e na escola que não torna filhos e alunos responsáveis por suas atitudes também contribui para formar as pessoas dentro do modelo “Desculpability”.

O primeiro passo para a mudança é admitir que esse padrão existe. “Reconhecer isso é tão importante quanto um alcoólatra reconhecer seu problema com a bebida. Precisamos admitir que isso está dentro de nós”, afirma o coach. “Ao reconhecer, passamos a avaliar o que pensamos, o que falamos, o que escrevemos pelo Whatsapp e como nos comportamos diariamente.”

Dentro de empresas, a mudança é lenta. Pela experiência de Cordeiro, com orientações e feedbacks constantes uma equipe pode alcançar outra dinâmica em seis meses. Primeiro, o gestor precisa se engajar e acreditar no processo. Ele precisa mudar suas próprias atitudes e falar sobre esse assunto toda semana, pedindo aos funcionários que não deem desculpas. Se isso acontecer, os gestores devem alertá-los na hora. A ideia é pedir que passem a trazer alternativas, não problemas. “Se a pessoa mudar de atitude, ao invés de dar a desculpa, vai direto ao ponto”, diz o coach.  Há, claro, a possibilidade de que alguém não queira adotar o novo modus operandi. Nesse caso, uma demissão pode ser necessária.

Outro erro que gestores cometem é fazer perguntas que provocam respostas irresponsáveis. “Por quê?”, “Quem?, “De quem foi a ideia?” – não pergunte. “Como podemos resolver?” e “O que fazer para termos certeza de que não vai acontecer mais?” são alternativas melhores.
A técnica, segundo Cordeiro, funciona em qualquer empresa. “Tem banca de peixe no Ceagesp com nível de Accountability altíssimo. Ali não tem desculpa de não dormir direito”, brinca.

Fonte: Época Negócios

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