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É possível treinar o cérebro para lidar com um mundo cada vez mais acelerado? Ironicamente, é possível que a adoção de mais tecnologia nos salve de uma sobrecarga causada pela tecnologia. Como preparar o cérebro para o aumento de distrações no futuro

É sabido que os avanços tecnológicos já afetaram o nosso cérebro. Com a chegada das mensagens instantâneas, notificações push, tecnologia de vestir e inúmeras outras distrações, temos que reagir cada vez mais rápido. Transformamo-nos em pessoas multitarefa com consequências lamentáveis.

Quanto mais aguenta o nosso cérebro? E é possível prepará-lo para os avanços tecnológicos que ainda estão por vir?

De acordo com a especialista em desempenho e médica australiana Jenny Brockis, autora de Future Brain: 12 Keys to Develop Your High-Performing Brain (em português, “O cérebro do futuro: 12 passos para desenvolver o alto desempenho do seu cérebro”), é possível. O nosso cérebro tem a capacidade de adaptação, mas há uma diferença entre adaptar-se à mudança e exigir que um órgão agüente estresse constante sem tempo para a renovação, diz ela. Por isso, o primeiro passo na preparação do nosso cérebro para o futuro envolve cuidar do corpo, incluindo a nutrição, exercícios físicos, sono suficiente e relaxamento, Brockis relata.

“Desenvolvemos práticas no local de trabalho que requerem um uso do cérebro para o qual ele não foi projetado. Isto inclui a multitarefa que está sobrecarregando a nossa cognição e dificultando a clareza do pensamento e agilidade e flexibilidade mentais necessárias para lidar com a crescente complexidade nas nossas vidas”, diz Brockis.

Aprender a priorizar melhor

A carga cognitiva é um conceito importante. Basicamente, refere-se ao esforço do cérebro para aprender algo novo. Se o esforço for grande demais, atrapalha a aprendizagem. Portanto, se o nosso cérebro já está sobrecarregado, será mais difícil aprender coisas novas, diz Brockis. Se entendermos melhor o efeito da carga cognitiva, poderemos aprender coisas novas mais rapidamente.

Além disso, precisamos priorizar melhor o foco da nossa atenção. Temos o hábito de tratar tudo como se fosse urgente e importante, o que pode aumentar o estresse, obrigar-nos a ser multitarefa e diminuir a produtividade. De acordo com Brockis, aprender a focar em uma coisa de cada vez e resolver as tarefas sequencialmente continuará sendo a maneira de trabalhar que dará os melhores resultados no caso da maioria de nós, mesmo com todos os avanços da tecnologia.

A solução da tecnologia

Nathan Wilson acha que a tecnologia nos norteará no futuro — inclusive nos ajudará a priorizar tarefas. Wilson, que é neurocientista e especialista em tecnologia, é co-fundador e diretor técnico da Nara Logics, uma empresa de inteligência artificial focada em ajudar as empresas a tomar melhores decisões. De acordo com ele, um conjunto de fatores como a enxurrada de informações e a necessidade de tomar decisões mais rápidas criará uma necessidade de tecnologias que possam gerar sistemas para ajudar-nos a ficar “acima da superfície desse oceano de informações; sistemas que podem ajudar-nos a excluir coisas irrelevantes e destacar as coisas em que devemos focar”.

E como é isso? Poderiam ser, por exemplo, ferramentas com IA que ajudam a distinguir “notícias falsas” de notícias baseadas em fatos ou informações conferidas, diz ele. Poderiam ser também aplicativos e aparelhos que se tornam mais “inteligentes” e aprendem a reconhecer informações importantes e não importantes para nós. Este tipo de aplicações já existem a um nível básico — por exemplo, você pode indicar quais contatos são mais importantes do que outros no seu smartphone — e Wilson vê potencial para um assistente verdadeiro que pode juntar dados relevantes, sintetizá-los e apresentá-los ao usuário para consideração.

“Estamos tentando decifrar o código de como fazer com que o computador diga ao ser humano o que está fazendo para tomar a decisão em vez de dizer simplesmente: ‘Então, humano, tomei esta decisão’”, diz ele.

Gray Scott, futurista e especialista emergente em tecnologia, concorda que a tecnologia pode acabar sendo a chave para lidar com a tecnologia. Ele gosta de afirmar que “a tecnologia é um portal para dentro, não para fora”. A tecnologia permite que observemos as nossas ondas cerebrais e entendamos as nossas respostas fisiológicas.

Ele menciona a testeira MUSE que, através de um aplicativo, permite que o usuário observe o seu relaxamento durante a meditação. Um nível mais profundo de meditação faz com que as nuvens do aplicativo fiquem mais paradas. Quanto mais atividade nas ondas cerebrais, tanto mais se movem as nuvens. Este tipo de tecnologia poderia ser usada para interpretar os sinais do corpo para saber a melhor hora do dia para certas tarefas, diz Scott.

“Observando os biomarcadores e os dados biométricos é possível definir o horário mais produtivo dia; se você sabe que a melhor hora do dia para o seu corpo é entre 14h e 16h, você pode concentrar o trabalho mais crítico nesse período”, diz ele.

Os especialistas concordam que a adaptação ao nosso futuro marcado pela tecnologia também deverá incluir algo contraintuitivo: passar tempo longe da tecnologia.

“Esta época de transição requer autodisciplina. É preciso saber quando tomar uma pausa. O nosso corpo, a nossa cultura, a nossa espécie, ainda não teve tempo para evoluir ao ritmo da tecnologia. É preciso permitir-se um tempo longe da tecnologia e conhecer o seu próprio ritmo”, diz Scott.

A pesquisa sobre os efeitos da tecnologia no nosso cérebro continuará evoluindo. Por enquanto, a resposta de como preparar o nosso cérebro para o futuro está na combinação de métodos conhecidos de cuidados de saúde com o poder da tecnologia que nos ajudará na adaptação.

Este artigo foi escrito por Gwen Moran da Fast Company e foi legalmente licenciado pela rede de editoras NewsCred. Dirija as suas perguntas sobre o licenciamento ao legal@newscred.com.

Fonte: Content Loop BR

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